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sexta-feira, 15 de maio de 2009

O craque na berlinda

"FUTEBOL!", gritou o público quando Mônica Bergamo perguntou ao Fenômeno sobre sua vida pessoal. Hoje, na Sabatina da Folha de S. Paulo com o craque, a colunista do jornal quis saber mais detalhes sobre seu episódio com travestis, e se ele se chateara com a abordagem midiática do caso. 

Nenhum ou pouco desconforto, porém, parece ter atingido Ronaldo. "O jornalista que fala mal da minha vida pessoal tem espaço na mídia, mas o que o público quer mesmo ouvir é a minha versão dos fatos. E o importante é que eu me arrependi", disse. 

Entre outras perguntas espinhosas de Bergamo apareceram: "Você se droga, ou já se drogou?" e "Qual é o valor do seu patrimônio?" Suas intervenções foram recebidas com vaias e reclamações da platéia, praticamente unânime em defender o jogador. 

Além do carisma e da boa articulação verbal, outro motivo mencionado pelo próprio Ronaldo explica seu sucesso com o público. "O Brasil é tão carente de heróis que os jogadores de futebol têm que preencher esse vazio", interpretou. Faça o que fizer, o Fenômeno será sempre idolatrado por ter tal profissão.

Mas se é para ser assim, o Brasil não podia pedir herói maior. Como ressaltou Clóvis Rossi, Ronaldo é o "cara que fez mais gols na história das Copas do Mundo", e o único jogador do mundo a fazer 2 gols numa partida de 2x0 numa final da Copa, segundo Juca Kfouri. Desse ídolo o Brasil perdoa tudo. Até a final do campeonato de 98.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

O tenista decadente

O mundo do esporte não acreditava no que acontecia. Roger Federer, visto por muitos como o melhor tenista da história, considerado imbatível, insuperável, gênio, uma lenda, chorou. Chorou copiosamente. Tentou falar diversas vezes, mas engasgava nas próprias lágrimas. Quem estava em volta não sabia o que fazer, se aplaudia, se consolava, e acabaram ficando todos quietos, admirando o "mito" do tênis desabando diante das câmeras, do adversário e de todos que assistiam. Nesse momento, ele confirmou o que se especulava há muito tempo: estava em franca decadência.

Ele chorava, pois havia acabado de perder a final do Aberto da Austrália, um dos mais importantes torneios de tênis, no começo deste ano. Federer já ganhou esse campeonato três vezes, então não eram exatamente pela derrota as suas lágrimas. Ele perdeu para Rafael Nadal, um espanhol de 22 anos muito talentoso, alguém com quem ele já jogara diversas vezes. Portanto, não era um choro de surpresa. Muito pelo contrário, porque Nadal venceu a maioria dos jogos em que enfrentou o tenista suíço. A última vez que haviam se encontrado foi em Londres, em julho de 2008, no torneio de Wimbledon, em uma partida considerada uma das melhores da história do esporte. Essa vitória de Nadal foi sim surpreendente, pois o piso do torneio é a grama, local em que Federer quase nunca perdera em sua carreira, até aquele dia. O suíço saiu de quadra desolado, sem chão, mas esperançoso, porque ainda era o "número 1 do mundo". Menos de um mês depois, ele teve que passar essa "coroa" para o espanhol.

Quando Nadal surgiu, em 2004, arrasador, principalmente no piso do saibro, eu duvidei de que ele seria uma grande oponente à "lenda". Era forte e extremamente concentrado, mas Federer era mais talentoso, igualmente "focado" e forte, e joga tênis com a facilidade com que eu jogo truco. Enquanto o espanhol colecionava todos os títulos na terra batida (ele nunca perdeu um jogo sequer em Roland Garros), Federer reinava na quadra dura e na grama, e não demonstrava muita preocupação com os outros tenistas. Seu maior adversário eram os recordes de Pete Sampras. Os franceses que compareceram à quadra central de Roland Garros em 2008 esperavam uma longa partida, como era comum entre os dois. Mas viram uma humilhante lavada, em que Nadal parecia dar aulas de tênis a um juvenil. O último set teve o placar de 6 x 0. Mas o gênio ainda não se preocupava, pois estavam jogando no saibro, logo depois eles jogariam Wimbledon e o troco seria dado. A final do Grand Slam inglês mostrou que ele não poderia estar mais enganado. Depois daquele dia em Londres, ele continuou chegando a finais e conquistou o Aberto dos EUA, mas o que se via era "apenas" um excelente tenista, o gênio havia morrido na grama londrina.

Após Nadal superá-lo no ranking e abrir enorme vantagem, a última esperança do suíço era a quadra dura australiana. Outra derrota, e não havia espaço para o riso sem graça, para a sua costumeira elegância: o seu semblante era a mais pura tristeza, e uma enorme sensação de impotência. Ele talvez não sabia por que chorava. Ainda mais pela declaração que deu após a final: "Em um quinto set, tudo pode acontecer. Esse é o problema. Nem sempre o melhor jogador vence. É uma questão de momento, às vezes”. Obviamente, ele ainda se achava melhor do que Nadal. Mas não era, não é há muito tempo. Pensando bem, essa frase revela o porquê de sua queda: a incapacidade de admitir que alguém é capaz de superá-lo. O que o espanhol fez após essas três vitórias que citei? Disse que era uma honra poder dividir a quadra com o seu ídolo. Percebeu a diferença?

Claro que Federer ainda é um grande tenista, que pode ganhar muitos outros títulos, inclusive superar os números de Sampras. Todos os tenistas, exceto Nadal, dariam tudo o que têm para estarem em seu lugar, e contarem com seu prestígio. Mas os jornalistas em geral têm pavor de falar que o espanhol tornou-se melhor, e o suíço está em decadência. Para mim, isso é mais que evidente. O decadente tenta negar sua queda como pode, procura desculpas para suas derrotas, seu orgulho o cega a ponto de achar que a vitória do outro se deve apenas aos seus próprios erros. Federer nunca foi deselegante, mas tampouco tentou adaptar seu jogo às novas circunstâncias, esperando a queda de seus oponentes. Agora é tarde demais. Enquanto isso, o outro campeão trabalha, quieto, humilde, a cada dia calando os que duvidaram de sua capacidade de se superar (como eu). Por isso, dificilmente veremos o seu choro: ele sabe como poucos a sensação de ter que se provar a todo momento.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

O que é que o futebol tem?

“Qual a graça de ver um bando de homens correndo atrás de uma bola?”. A questão levantada geralmente por aqueles que não apreciam o futebol pode até ter um fundinho de verdade. O que tanta gente encontra de interessante em 22 homens correndo atrás de uma bola (e um correndo atrás dos 22), a fim de colocá-la em um retângulo todo amarrado com barbantes? Seria simples a imbecilidade do esporte. Mas não é.


Ele é muito mais que isso. Mais que um jogo, que um esporte. É difícil, diria até impossível, achar algum ramo da vida moderna que não possa ser relacionado com o futebol. Guerra? Antropologia? Economia? Medicina? Culinária? Humor? Por maior que seja a diversidade de temáticas que permeiam a vida humana, pelo menos uma influência, mesmo que em tempos remotos, o futebol exerceu. O mundo é vasto, mas não se esqueça, ele também é uma bola.


E por mais que povos, intelectuais e fidalgos o rejeitem, não tem jeito. O esporte bretão é o mais amado e o que mais provoca amores. Aliás, esporte bretão não, universal. Por mais que os filhos da rainha afirmem a paternidade do futebol por ter organizado regras, todos os cantos do planeta têm seus genes registrados no DNA da bola. Ancestrais chineses, medievais italianos, artistas brasileiros e até mesmo aqueles norte-americanos que carregam bolas ovais com as mãos têm seu espaço na árvore genealógica futebolística.


Qual seria então o elixir do futebol? Qual sua fórmula secreta? Não há. A simplicidade é o que faz o futebol. E numa tentativa de explicar a paixão que provoca, o único motivo que pode se tornar plausível é a sua capacidade de apaixonar. O futebol hipnotiza multidões. Leva pessoas das mais diferentes características a se transfigurarem por conta de um lance. Até um mafioso choraria após uma derrota de seu time. Mesmo um monge tibetano perderia a paciência quando o seu centroavante perdesse aquele gol feito. O maior pessimista do mundo ainda conseguiria enxergar a esperança em uma vitória suada.


E essas pessoas, com reações tão particulares em seus gestos de alegria e angústia, são capazes de se transformar em um único gigante. Um outro jogador mais imprescindível que Pelé, mais espetacular que Maradona e que tem como traço mais marcante a garra e a energia. Camisa 12 eterno, a torcida é sem igual, o atacante mais efetivo da equipe, o marcador mais implacável.


Além de tudo, a torcida é musa inspiradora de todos os jogadores, de craques mundiais a peladeiros da várzea. Quem nunca sonhou em ter seu nome gritado por milhares de fanáticos, balançando as redes em uma final de campeonato? A magia da aclamação é o mecenas da arte do futebol. O drible que deslumbra, o passe milimétrico, o gol impossível. A beleza dos lances em campo se inicia na imaginação dos torcedores e se concretiza nos pés daqueles que se tornam oferenda para agradar os deuses situados na arquibancada. Como recompensa, a glória.


Afinal, o que há mesmo de interessante nos 22 homens que se cansam atrás de uma bola? Nada. A graça está no que algo tão simples e insignificante consegue provocar. Constrói culturas, influencia pensamentos. Fato instigante que fascina, a partir os pés dos jogadores, o coração dos torcedores.

 
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